História do arco
O arco e flecha como ferramenta humana existe há milhares de anos; há tanto tempo que não se sabe ao certo sua origem exata nem qual foi o povo responsável por sua criação. Historiadores normalmente situam o surgimento do arco entre 30 mil e 50 mil anos, embora esse ainda seja um tema bastante debatido. Durante esse enorme período, uma infinidade de formas de arquearia foi desenvolvida, cada uma com seus próprios materiais e técnicas específicas.
Como elemento principal da prática está o arco. Em sua forma mais simples, ele é apenas um pedaço de madeira curvado por uma corda, capaz de disparar um graveto afiado. Mesmo em sua aparente simplicidade, essa invenção conseguiu transformar a forma como o ser humano interagia com o meio ao seu redor, melhorando a caça, a proteção e, eventualmente, a capacidade de combate.
Com o passar do tempo, o arco evoluiu em sua construção, incorporando materiais distintos, aprimorando seu design e tornando-se mais adaptado ao ambiente, ao clima e às necessidades de cada região. A limitação dos materiais disponíveis em cada local foi um fator determinante para a forma como a arquearia se desenvolveu ao redor do mundo.
Acredita-se que tenha sido nas estepes da Ásia Central e na Mesopotâmia que surgiram os primeiros arcos compostos (que utilizavam juntos materiais como madeira, tendão e chifre). Esses arcos eram extremamente eficientes e conseguiam, em alguns casos, atingir potências muito altas como 100 libras.
Em algum momento dessa vasta história, o ser humano domesticou o cavalo e, criativo como sempre, não demorou a começar a praticar a arquearia montada. A origem da arquearia montada é associada às estepes da Eurásia, sendo frequentemente atribuída ao povo cita, que também teria sido um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento dos arcos recurvos.
Algumas teorias sugerem que a mudança para o desenho recurvo ocorreu justamente devido ao uso do arco a cavalo, já que esse formato permite arcos menores e mais compactos, facilitando sua utilização montada.
Por volta do século V a.C., a humanidade chegou ao arco recurvo composto, uma verdadeira maravilha da engenharia antiga. Esse modelo se espalhou por toda a Eurásia com a ajuda dos povos nômades e acabou moldando parte significativa da história militar do mundo.
Pequenos, poderosos, eficientes e ágeis, esses arcos podiam ser usados a cavalo e possuíam força suficiente para perfurar armaduras. Sua construção elegante foi tão eficiente que permaneceu em uso até o fim da arquearia como ferramenta de guerra. Ainda no século XIX d.C., em algumas regiões, arcos com esse mesmo princípio construtivo continuavam sendo utilizados.
Arcos utilizados atualmente
Hoje em dia, esses arcos são comumente chamados de horse bows — algo como “arcos de cavalaria” — e são inspirados em modelos tradicionais. Entre os desenhos mais conhecidos estão os arcos citas, turcos, coreanos, chineses da dinastia Ming, manchus, mongóis e hunos.
Todos são arcos recurvos com pontas rígidas, chamadas tradicionalmente de siyahs, mas variam em comprimento, envergadura, tamanho de puxada e outras características estruturais.
Com a evolução dos materiais e das práticas modernas, a maior parte desses arcos é construída com fibra de vidro ou com laminados compostos por madeira e fibra em camadas. A empunhadura e as siyahs normalmente continuam sendo feitas de madeira.
Os arcos compostos tradicionais — feitos de madeira, tendão e chifre — ainda são produzidos atualmente, mas sua construção é extremamente complexa e especializada. Além disso, exigem muitos cuidados de manutenção e possuem custos elevados, o que faz com que sejam utilizados principalmente por entusiastas e colecionadores.
Quero começar a praticar, qual arco é pra mim?
Para quem procura um arco para a prática da arquearia montada, especialmente iniciantes, recomenda-se priorizar modelos recurvos. Quando desmontados, esses arcos apresentam uma curvatura “invertida” em relação ao que normalmente imaginamos, o que inclusive gera situações curiosas de pessoas tentando montá-los ao contrário.

Também é recomendável escolher arcos com siyahs relativamente leves e curtas, pois costumam ser mais fáceis de produzir e de utilizar no início da prática. Historicamente existiram inúmeras variações, inclusive modelos com siyahs bastante longas.
– Tamanho da puxada
Outro ponto importante é o tamanho de puxada do arco, que deve ser adequado ao tamanho do arqueiro. Pessoas mais altas, por exemplo, geralmente precisam de arcos que permitam uma puxada maior.
– Tamanho total
O tamanho total do arco também merece atenção. Modelos muito curtos tendem a ser mais difíceis de utilizar, especialmente para iniciantes. Por isso, o ideal é começar com um arco intermediário: compacto o suficiente para a prática montada, mas ainda tolerante e confortável para o aprendizado.
– Potência
Em relação à potência, recomenda-se que iniciantes utilizem arcos entre 20 e 30 libras. Inclusive, a maioria dos praticantes de arquearia montada raramente ultrapassa arcos de 40 libras, tanto para evitar lesões quanto para permitir tiros mais rápidos, fluidos e precisos.
Historicamente, muitos arcos ultrapassavam as 120 libras de potência, mas atualmente não existe necessidade prática para forças tão elevadas na arquearia esportiva.
Conclusão
O arco que utilizamos hoje é fruto de milhares de anos de evolução: um pedaço vivo da história que vibra a cada disparo com o eco das inúmeras gerações que o empunharam. Uma obra de arte, engenharia e criatividade humana manifesta em um pedaço de madeira tensionado por uma corda — capaz de despertar no arqueiro a sensação de liberdade, disciplina e coragem herdada de nossos antepassados.
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